segunda-feira, 14 de julho de 2014

#1

As vezes odeio minha condição. Já cansei de ser antropóloga nessa sociedade, queria fugir, arranjar outro mundo.
Hoje foi um dia angustiante... do lado de dentro das grades eu via uma tarde tão linda de primavera naquela fresta da janela, a única partezinha da janela onde da pra ver o céu dentro daquelas quatro paredes que me consomem. Poder ver aquele pedacinho de céu faz valer a pena sentar ao lado de pessoas que me sugam mais ainda a energia.
Nunca senti tanta falta de morar numa casa.
Nunca senti tanta necessidade de me encontrar com minha mãe. Agora, aqui com ela, sentada na grama e sentindo ela me tocar faz sentir-me aliviada, anestesiada, vivida.
Os sons da cidade não me deixam esquecer do mundo, apesar de desejar que fosse assim, é bom que seja dessa forma, talvez se eu esquecesse do propósito de estar infiltrada nesse mundo fizesse com que eu me perca nos meus sonhos.
Eu sei, deveria ser assim, eu deveria ser meus sonhos, mas não é o que as pessoas esperam de mim.
O que as pessoas esperam de mim? Não sei! Realmente não sei... mas acho que estou no caminho certo já que agora ninguém tentou me parar.
O que espero de mim? Na verdade se trata do que eu esperava e eu esperava sonhos! E esses sim foram impedidos... só não sei se fiz certo em deixar que me parassem.
Diariamente me convenço de que na verdade ninguém me parou, só diminuíram meu ritmo. Me ajuda a sobreviver pensar assim. Um dia chego lá!
Não... Não me pergunte onde, não existe lugar. Sinceramente, nesse momento eu penso que o maior propósito da minha vida é um dia poder viver todos os dias dessa forma. Quem sabe com uma linda mulher ao meu lado, que sinta  mesma ânsia de liberdade que eu, num mundo sem sons de cidade. Na verdade eu quero que o tempo pare agora e ela se materialize aqui do meu lado.
Eu poderia viver assim pra sempre.


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